Terça-feira, Junho 03, 2008

O Encalacrador Implacável – Episódio 1

Amadora, 23 horas, alguns anos atrás (de quem? Como? Oi? Pois é pois é pois é pois é!)

A noite estava escura, e as ruas da Amadora especialmente vazias, naquela noite chuvosa. Os raios rasgavam os céus, iluminando momentaneamente a escuridão. Subitamente, um relâmpago pareceu ganhar vida, percorrendo crepitante os céus e atingindo as traseiras de uma carrinha da “Familly Tost”, que ardeu em segundos, ao som da sua ritmada cançoneta-buzinada “TE-re-RE-re-RE-re-RIIII!”. Por entre os restos carbonizados do veículo, uma esfera de energia cintilante desvaneceu-se lentamente. No seu lugar restou um corpo estranho e desnudo, enrolado numa posição quase fetal, ou talvez na posição que Marylin Manson tanto tentou alcançar em adulto à custa de algumas costelas (analogia gentilmente patrocinada por “Auto-Bico: o seu concessionário!”). A figura levantou-se, limpou os cantos da boca, e avançou na direcção do homem que limpava a rua, com uma pá.
- O que é que queres ó panasca? – perguntou o varredor, visivelmente chocado, fixando o olhar, esbugalhado, no volumoso baixo ventre que tinha à sua frente – Apareceres nú a esta hora numa rua respeitável!!
- A tua roupa... agora! – disse, numa voz fria, após alguns segundos em que pareceu tirar as medidas ao funcionário da câmara.
- A minha roupa?? Pá, não me fodAUUUUUGHHHH!! – momento de sofrimento não descritível por palavras, deixado à imaginação do leitor.
O vulto vestiu a roupa verde do funcionário, depois de lhe ter retirado a vassoura do rabo. Ajeitou o boné na cabeça, e olhou em todas as direcções, lentamente, parecendo retirar informações das imediações, como um sensor humanizado. Na realidade, não retirou qualquer informação, pois como este texto se trata de um produção de baixo orçamento, não há cá bases de dados, sensores e meios informáticos altamente sofisticados! Colocando-se em posição de defecar, retirou do orifício anal um bloco enrolado, naturalmente acastanhado.
- Encontrar alvos. Eliminar alvos. Primeiro da lista: Régio, conhecido num futuro próximo como Guarda Régio – balbuciou monocordicamente o indivíduo, enquanto punha a vassoura da Câmara Municipal da Amadora ao ombro e se afastava, ao pé coxinho e assobiando a música do “Strangers in the night”.

Régio
Há muito que Régio se sentia atraído por meninas de uniforme. Estimulado por banda desenhada japonesa, a sua libido tinha-o impelido a tornar-se num voyeur quase profissional, ou pelo menos, muito empenhado. Naquela tarde solarenga encontrava-se em plena actividade de mirone em cima de uma árvore, desafiando a gravidade e os limites do mundo circense: conseguia segurar-se, olhar por cima do muro para as meninas fardadas, ter uma revista hentai aberta, coçar o rabo e masturbar-se, tudo em simultâneo. O extâse em que se encontrava impediu-o de ver a aproximação do estranho varredor. A árvore tremeu e Régio caiu, finalizando toda a acrobacia anterior com um número de empalamento anal. Sem ter a noção real do que lhe estava a acontecer, teve ainda tempo para pensar que tinha andado a perder algumas coisas bem mais excitantes que colegiais. Ao abrir a boca para gritar de prazer/dor, o pau da vassoura acabou de o atravessar e sair pelo oríficio alimentar (?), esbugalhando-lhe os olhos, agora inertes.
- Segundo alvo: Arata. – disse o funcionário da C.M.A., contemplando sem emoção os restos de Régio.

Arata
A multidão gritava apoiando os seus competidores, embriagada de emoção. De um lado, a Bisarma Anónima, com uns respeitáveis 180 kg, do outro, o campeão de enfardanço sequencial da Damaia: Arata, o gigante barbudo. A competição era simples: quem conseguisse comer mais, de um tipo de prato, ganhava o combate daquela tarde. Após a 45ª dose de rojões à minhota, a Bisarma Anónima vacilou, e caiu, esmagando alguns espectadores incautos. O vencedor era novamente Arata, que para celebrar ergueu e bebeu de um trago o barril de chá gelado. Enquanto a multidão o ovacionava, dirigiu-se às traseiras do edíficio para satisfazer as suas necessidades fisiológicas na cova profunda recém aberta para o efeito, mas já com algumas centenas de quilos/litros de estrume: ainda conseguiria fazer algum dinheiro vendendo adubo natural. No momento em que se preparava para baixar as calças, viu um enorme salame italiano na mão de um tipo vestido de verde. As suas papilas gostativas salivaram imediatamente, tomando conta do seu cérebro e corpo, que começou primeiro a andar, e depois a investir contra o portador do salame. Este correu em torno da fossa, fazendo com que Arata aumentasse cada vez mais o ritmo da corrida, até parecer um rinoceronte enraivecido. No último momento, o salame foi atirado para dentro do buraco de estrume, cujo percurso foi também seguido por Arata, grunhindo. Em poucos segundos o gigante barbudo afogou-se em bosta, não sem antes engolir o salame de uma só vez e libertar um gás estomacal audível por vários quarteirões.
- Arata, enclacrado. Á grande. – disse o indivíduo de verde, escrevendo no seu bloco – Próximo alvo: Victor Gina. Preparar brasileiras.


(Continua...)

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Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Ontem à noite

Ontem à noite vi-te no WC
Estavas com diarreia, sem clister...
Para lá do fedor só brize primaveril®,
Com o seu perfume, incapaz de purificar o ar.
Percorri o armário dos desinfetantes enquanto
Te acabavas de limpar.
Queria que tivesses cagado num WC só teu
Onde a distância evitasse este odor a podre.

Ontem à noite prometi a mim mesmo,
Que nunca mais te faço uma feijoada
Com couves e enchidos, a cheirar a gordura...
Agarra-te ao soja, que eu cozo a posta!

Ontem à noite o WC deixou de ser só meu!
Tive de o limpar como a uma fossa
Fui um engenheiro sanitário imerso em bosta!

Ontem à noite foi a noite em que abolimos os farináceos!

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Domingo, Novembro 11, 2007

Realidades... oh, bosta!!

Ajeitou os pensos do capachinho enquanto dava baforadas no seu charuto fumegante... Desceu à cozinha da sua vivenda com vista para o mar, e ao passar pela menina Bebiana, a sua empregada de 22 anos e corpo de modelo, deu-lhe uma forte palmadinha nas nádegas, dizendo “Que noite esta!”. “Cabrão do velho”, pensou Bebiana.

Escarrou violentamente para o penico a sua especturação matinal, enquanto coçava delicadamente o seu rabo peludo e postulento... Fugiu para o quintal enquanto a sua mulher corria atrás de si, em robe, com uma lingerie que até se poderia considerar sexy, mas não num corpo de uma mulher de 137.8 quilos. “Porra, mais uma noite!”, pensou correndo atrás do autocarro da carris.

Entrou no seu topo de gama novinho, e escolheu qual dos seus cartões de crédito, com avultados plafons cobertos, ia usar. “Hum, este deve chegar para a Madame Viviane!”

Por entre o magote de gente do autocarro, tirou a carteira rota e contou os trocos “20 euros e meio... deve dar para meia hora com a Gertrudes Boca Doce!”

Entregou as chaves ao rapaz, com uma nota de 20 euros, que se apressou a estacionar o bólide “Espero que o cabrão do miudo não me risque o carro!”, pensou, enquanto entrava e lhe traziam, apressados, um uísque duplo.

Saltou do autocarro ainda em andamento e embrenhou-se nas ruas sujas e labirinticas daquela zona da cidade, chegando rapidamente ao albergue decadente do último beco. “O que me apetecia mesmo era uma aguardente velha...” pensou. Trouxeram-lhe um traçado num copo baço e partido.

- Fofa, a Madame Viviane já está à minha espera? – perguntou à menina absurdamente pintada do lobby.
- Claro Doutor Alves... Quarto do costume- esclareceu - Algum brinquedo especial?
- Não, não, deixe estar. – respondeu, dando uma palmadinha no rabiosque da menina e entrando no elevador.

- Reinaldinho, a Gertrudes tá por cá? – perguntou ao brasileiro de dois metros que se encontrava encostado a um bidon de cerveja a palitar os dentes.
- Está sim Guedes, mas tem de esperá um momentinho à porta que ela está acabando.
- Tá bom, vou subindo então - respondeu

Entrou no quarto - o espelho da luxúria. Uma explosão de veludos e cetins vermelhos e rosas envolvia Viviane, no esplendor dos seus 23 anos, vestida com um corpete rosa, cinto de ligas e roupão de cetim. Aproximou-se dele, e à medida que o beijava, despiu-o e levou-o para a cama vermelha.

Esperou que um velho saísse, com ar visivelmente satisfeito. O quarto tinha uma carpete castanha bem suja, as janelas com estores bolorentos, tecto com uma lâmpada pendurada, e no centro apenas um colchão com imensas nódoas. Gertrudes, na decadência dos seus 57 anos, flácida e com excesso de pilosidade corporal, limpava a sua boca estranhamente avermelhada.

Quarenta deliciosos minutos... o tempo necessário a vários momentos de prazer naquele ambiente de sonho.

Quatro explosivos minutos... o tempo necessário à Gertrudes tirar a dentadura, começar a sua “especialidade”, e acabar o serviço.




- Boa dia Doutor Alves. Esteve tudo do seu agrado? – perguntou um rapaz de 30 anos, extremamente bem vestido, que aparentava ser o gerente
- Como sempre, meu amigo, como sempre – respondeu, estendendo o seu cartão de crédito enquanto dava longas baforadas no seu charuto.

- Oi Guedes, tudo bom? – perguntou reinaldinho
- Sim, sim, a gertrudes nunca esquece, nasceu ensinada!! – atirou, ainda ofegante, estendendo os quize euros
- Hoje tem desconto, só dez euros... ela não lhe disse?- inquiriu reinaldinho
- Não sabia de nada...
- É que ela está com uma crise de herpes... outra vez. Mas não tem problema não!
- Ohhh, BOSTA!!!

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Sábado, Outubro 13, 2007

Poesia Neo-alucinada (ou um sonho colectivo sergiófilo)

Tenho andado a estudar
Uma hipótese muito estranha.
Estou perto de a aceitar
Quanto mais penso, mais se entranha

Sergay, avôzinho de TL, compêlo dôs
Por muitos nomes o conhecemos.
Mas existirá ele na realidade
Ou será uma psicose que todos temos?

Nas pautas está inscrito
Mas na faculdade nunca está.
É muito estranho, admito!
Ninguém o vê, porque será?

Na net parece habitar
Até comenta e escreve na Penal.
Mas alguém pode provar
Que não passa de um bug virtual?

Já esteve em jantares? Uma ilusão!
Na FNAC a ler BDs? Um sonho!
A desenhar em guardanapos? Uma visão!
A tentar comer uma sandes? Que tonho!

-“Tantas vezes que o vi, mais de um milhão!”
Contradiz alguém, que se justifica.
Mas não vê também o papão
O menino que nele acredita?

A teoria é real, submete-te
Estaremos todos a viver uma alucinação?
-“Tenta encontrá-lo, diverte-te”
- “Lamento... mas ele já me ripou o nabão!”

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Domingo, Novembro 13, 2005

Alexia e Tutu - ePILAgo

Alguns dias tinham já passado sobre o acidente que reduzira a cinzas e escombros um gigantesco edifício na margem sul, quando finalmente se reuniram condições de segurança para uma equipa de especialistas analisar as ocorrências a fundo. Isto depois de um almoço bem regado, claro está, que o Inspector Routo e o técnico da brigada de fogos postos - nome de código Small John- não deixavam os seus créditos por mãos alheias. Ou melhor, alheiras, com ovo estrelado, arroz e batata frita (não da congelada, mas das outras), numa tasca do Monte.
- Isto é que foi encher o bandulho, Small – disse o barbudo inspector, dando suaves palmadinhas na sua barriga inchada
- Foi sim senhora, inspector – retorquiu o baixinho africano, palitando agilmente os seus dentes brancos – E aquele vinhozinho? Hummmm!
- Muito bom, melhor só se viesse numa caneca das Caldas! Bom, mas vamos ao que interessa. – concentrou-se o inspector – Este cenário é miserável. Não houve sobreviventes, certo?
- Não, nem um. – confirmou Small – Luta de traficantes que acabou mal, com a polícia ao barulho. Cerca de 100 mortos, entre criminosos e polícias, muitos corpos nem foram encontrados sequer. Quem se deve ter ficado a rir foi o Xanana do Infarmed e a Dona Crosta, têm o mercado dominado...
- Sim! Penso que até têm mesmo alguma coisa a ver com esta explosão, mas faltam-nos as provas. São mais escorregadios que os sabonetes cremosos que eu costumo apanh... – interrompeu-se Routo, enrubescido e atrapalhado. Torceu então o nariz, incomodado – que cheiro é este?? Parece... caril!
Uma pilha de cascalho pareceu vibrar e ruir, acabando por se dar uma projecção de pedras por todo o lado, quando um vulto saltou por entre elas, erguendo-se. Por momentos contemplou os dois polícias com um olhar impassível. O seu estado era bastante miserável.
- Mas... mas... não pode ser – balbuciou um incrédulo Inspector Routo – Alexia??? Estás viva?
- Alexia? A mesma Alexia que eu estou a pensar? – perguntou Small John, atónito – Essa boca lendária que corria de joelhos as esquadras da zona de Lisboa e Vale do Tejo??
- Xanana... vingança... – gemeu a personagem destroçada. Apresentava diversas feridas, que numa pessoa normal seriam fatais. A sua cara apresentava úlceras quase faraónicas. De olhar gazeado, antes que os dois polícias esboçassem qualquer reacção, levantou vôo graças aos seus propulsores anais, perdendo-se no horizonte.

Horas mais tarde, algures no norte de Portugal

O novo imperador do tráfico de ervas sintéticas exultava e comemorava o seu recém estatuto adquirido juntamente com a sua comparsa, numa festa privada.
- Ó Dona Crosta, traga aí mais umas três, que estas já acabaram! – disse Xanana do Infarmed, tentando ajeitar a sua fralda
- Três? Ó jovem, isso já perdi há muitos anos! Não quer antes aqui uns peitinhos de frango? Olhe que ainda estão para as curvas!! – disse Crosta, levantando o seu avental –O Sr. Rato ainda gosta muito de cá vir roer!!
- Safa, já lhe disse que não!! Mal por mal, mais valia a sua filha! – vociferou – Pronto, traga-me aí um mistozinho.
Repentinamente, ouviu-se um estrondo imenso enquanto o tecto cedia violentamente. Por entre a densa poeira, no centro da sala, Alexia ia tornando-se visível. O seu olhar por detrás dos óculos partidos era assustador, mas não tanto como a sua boca escancarada.
- Bom, bom, bom, a célebre Alexia! Entrada triunfal, para um suposto cadáver – disse Xanana do Infarmed, batendo palmas – Como eu digo sempre, quando se quer um trabalho bem feito, nada como sermos nós a fazê-lo. Não devíamos confiar em macaquinhos, mesmo que amestrados. – disse, olhando ameaçadoramente para Crosta
- Oh sô tôr, eu garanto-lhe que eles estavam todos mortos debaixo dos AHHHHH – ginchou Dona Crosta, enquanto Alexia afundava mais e mais o Vibro-Sabre na velhota ressequida – O Rato nunca me penetrou assiAHHHHH!
Alexia limpou a arma nas protecções metálicas do rabo, enquanto o corpo da idosa escorregava para o chão, derretendo e voltando à sua natureza inicial tantos anos depois: recheio de pastel de nata azedo. A loura virou-se, coxeando, para o traficante impávido.
- Humpf, essa velha gaiteira também nunca me serviu para grande coisa, desde que a trouxe lá do Meco. Não penses que isto vai ser assim tão fácil comigo!! – berrou, puxando e desapertando as fraldas. Por baixo, em vez do normal pénis masculino, encontrava-se um objecto metálico que aumentou periscópicamente, atingindo cerca de 3 metros – Ah ah ah, vais conhecer de perto a táctica profunda do ESCONDE O SALAME!!!
O apêndice metálico começou a chicotear o ar a uma velocidade estonteante, tentando a todo o custo acertar em Alexia, como se tivesse vida própria, enquanto Xanana ria com as mãos na anca, imóvel. A loura foi-se esquivando como pôde, tentando defender-se com o seu Vibro-Sabre, até que este lhe voou das mãos. O cansaço e as inúmeras feridas acabaram por trair a agente biónica, que, de gatas, foi trespassada pela boca, saindo o salame metálico pela outra extremidade do corpo, rompendo num lençol de sangue a protecção de liga metálica caril-einsténio-paládio.
- Irónico não é, minha menina? A tua posição preferida vai ser aquela em que vais morrer, lentamente e em agonia! AH AH AUUUGGHHHHH! – Alexia, num assomo de lucidez por entre tal dor (e prazer), trincara e serrara o pénis metálico, que, descontrolado, começou a atacar Xanana do Infarmed, espancando-o até à morte. Alexia rastejou para um canto, sangrando e gemendo “Tutu...”. Enquanto desfalecia e o sono da morte a invadia, acariciou-se uma última vez , pensando no seu rapagão peludo.


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Terça-feira, Agosto 30, 2005

Esse lugar é meu!!

Era uma madrugada normal, num dia de trabalho normal, num comboio da CP da linha de Sintra que de tão normal, até me irrita e faz escrever uma asneirada muito muito feia e gratuita (ao contrário do preço dos passes): chissa! As pessoas entravam em todas as estações de um modo quase ordeiro, aparentando uma calma que era tudo menos isso mesmo. Na estação do Cacém a tragédia aconteceu.

A Dona Idalina, furando por entre os magotes de passageiros, vislumbrou um lugar sentado perdido. “As minhas pernas carregadinhas de varizes e veias rebentadas têm de descansar!!” pensou a senhora de meia idade (se se considerar uma idade inteira como 120 anos para aí, claro) com os seus botões, que fechavam um vestido envolvendo os seus 170 kilogramas de pura banha, enquanto se dirigia para o descanso semi paradisíaco.

Na extremidade oposta da carruagem entrava Mané Matimba, que embora habitante de um bairro degradado era um trabalhador dedicado, versado em telecomunicações de ponta: ponta da naifa para lá – telemóvel para cá. O início de dia era sempre cansativo, pois ainda não se tinha habituado a correr de entre carruagem em carruagem depois de ver os revisores. Naquele dia precisava de se sentar, e um lugar vazio pareceu luzir como se para o chamar. “Man, dia de sôrte hôje!”.

Os dois passageiros dirigiam-se apressadamente para o lugar vago, quando se aperceberam um do outro. A tensão cresceu instantaneamente: a Dona Idalina fincou as suas patas paquidérmicas com força no chão, e Matimba agarrou ostensivamente o rádio gigantesco que trazia ao ombro. O ar ficou carregado de electricidade (não sei porquê, mas deve ser por eu estar a estudar física – se fosse carregado de merda era pior, ainda era mais estranho, e cheirava pior) e, repentinamente, o comboio estremeceu. As luzes acenderam-se em pleno dia, mas eram vermelhas e azuis, violentamente intermitentes. Do meio do nada surgiu então o maquinista.

- Senhôres e senhóóóras, o maior espectáculo do mundo está prestes a começarrr! – gritou o recém surgido
- O Circo?!?! – perguntou uma criancinha esperançada
- Não, não é o circo! – respondeu o maquinista
- Um espectáculo de acrobacias aéreas?? – perguntou outro passageiro
- Não, também não é isso! – retorquiu uma vez mais o apresentador, incomodado
- Uma orgia sexual de prostitutas de idade avançada de biquini?? – perguntou um pervertido completamente babado
- Não PORRA, é o fantástico, o admirável, o inebriante DUELO POR UM LUGAR SENTADO NUM COMBOIO DA LINHA DE SINTRA!! (Momento gentilmente patrocinado por CP – Caminhos de Ferro Portugueses) – berrou o maquinista
- Essa merdice?? – respondeu um velho, virando as costas – Isso vemos nós todos os dias! Ah!
- Errr...pois – gaguejou o apresentador – Bom, no vosso canto esquerdo, com o vestido foleiro e tantos pneus de gordura como anos de vida... DONA IDALINA!! – a senhora respondeu urrando e batendo com os punhos no peito sob o aplauso dos passageiros – No vosso canto direito, com o fato de treino roubado e debaixo de uma montanha de brincos, correntes de ouro, o rádio a tocar 50 Cent e - Ouch... que é isto? Olha aí! Nada de stresses, leva lá isso – e agora a minha carteira.... MANÈÉÉ MATIMBA!! – o outro interveniente guardou a carteira “emprestada” e ensaiou uns passos tribais ao som da música, debaixo de ruidosa ovação da secção mais sombria da carruagem. O apresentador/maquinista deu dois saltos e gritou – Que comece o combate!!

Dona Idalina investiu violentamente na direcção do jovem, que se esquivou rodeando o varão, agredindo com o rádio as costas gelatinosas da sua oponente, que pareceu nem o sentir. Virando-se, rodou a sua mala carregada da quinquilharia típica feminina que pesa toneladas e arremessou -a na direcção de Matimba. Este, aterrorizado recuou, tropeçando nas suas calças de fato de treino e estatelando-se ao comprido. A mala voou por cima do seu oponente, indo acertar no pobre maquinista, esmigalhando instantaneamente o seu crânio. A velhota vendo a aparente vantagem, carregou novamente, só que com tanta força bruta desequilibrou o comboio desgovernado (sim sim, como se isso fosse possível) , que ginando nos carris se virou espectacularmente, provocando um aparatoso e destruidor acidente.

Por entre a amálgama metálica retorcida de metal, o pervertido babado rastejou e sentou-se numa cadeira que sobrevivera inexplicavelmente:
-Este lugar é meu ãhahãahã!!! – balbuciou enquanto se começava a masturbar.

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Sexta-feira, Julho 15, 2005

O exame

15 de Julho de 1772, 13H34, Paris

Um vulto de capa e tricórnio negro avança rapidamente por entre a multidão que se acotovela próximo do Jardim das Tulherias. De uma carruagem sai um homem fardado de cabelo branco puxado atrás da nuca, que dá uma palmada no cavalo e avança calmamente. O vulto negro grita então:
- Monsieur Coulomb! Monsieur Coulomb!
O militar vira-se na direcção da voz, no preciso momento em que o vulto negro puxa de dentro do sobretudo uma peça estranha que começa a rugir rapidamente:
- Ahhhh!!! – grita a personagem de negro, enquanto o outro cai cravejado de balas, sangrando – A boa da G-3 ainda funciona!!! Ninguém te manda armares-te em esperto e inventares umas merdas de leis para me lixares a cabeça daqui a 2 séculos e meio!! E tens sorte, poupo-te à guilhotina de daqui a uns anitos!! – riu-se o assassino, continuando a disparar – O Faraday e o Franklin deram mais luta que tu, sua menina!!

16 de Julho de 2005, 17h45, Lisboa

Um professor de física da faculdade de ciências e tecnologia com nome meio francês, meio cântico, segue alegremente no seu veículo motorizado (que não se sabe a marca, mas não interessa para o caso – Nota do autor) quando é abalroado por outro veículo. Parando imediatamente, o professor sai e tenta avaliar os estragos do seu carro, ao mesmo tempo que olha incrédulo para o vulto que sai do outro carro acidentado:
- Maz qué fez vocé, uh?!? Um bocadin maiz de attention, non? – berrou o luso-francês
- Olha-me outro franciú!! – cuspiu o outro condutor – Só me tocam destes!! Bom, toca a trabalhar. – disse, retirando do bolso um capacitor de 3500 Volts, correndo de seguida em volta do professor espantado, que em menos de nada se viu preso em fios de electricidade com pinças
- Maz qué istou, ã!! Vocé et doidó?? Ahhhhhaaauuuughghhhhhhhh !! – guinchou de dor, caindo pelo chão, estrebuchando à medida que ia ficando com os cabelos em pé e começava a cheirar a carne queimada
- Cala-te mas é, e capacita-te que não lixas mais aluno nenhum! Ahahah, boa piada, capacita-te! – disse o assassino, afastando-se da sua vitima completamente esturricada, rindo sozinho

17 de Julho de 2005, 23H40, Torre da Caparica

O senhor Alberto, segurança há já 15 anos no campus da Caparica da FCT-UNL, fazia a sua habitual ronda pelo edifício de física, quando ouviu uns barulhos estranhos num gabinete. Correndo para lá, tirou o molho de chaves e entrou no 2.31 (número completamente ao calhas, não sei qualquer número do gabinete – Nota do autor). Um vulto agachado saltou na sua direcção rapidamente.
- Não queria, mas agora vou ter que o magoar!! – disse o assaltante, agredindo com uma lata de gasolina o pobre segurança – Fica amarrado enquanto eu queimo esta porra toda! – disse regando o gabinete com gasolina e acendendo um fósforo – Veremos como é amanhã! Ah ah ah!!


18 de Julho de 2005, 12H50, Torre da Caparica

Cerca de 300 alunos agrupavam-se ansiosos em frente ao edificio VII, esperando que o professor falasse.
- Bom, infelizmente o nosso departamento ardeu, o regente da cadeira e meu grande amigo morreu, cadeira que nem sei bem o que é porque a minha mente parece estar um pouco... vazia. De qualquer maneira, tinha um cópia do exame em casa, e conseguimos requisitar o grande auditório. Já sabem, a matéria era até às leis de.... qualquer coisa ou de alguém sei lá quem. Vamos lá – disse, chocalhando as chaves.
Do fim do grupo um aluno desesperado berra “Grande merda, nem assim me escapo a isto AHHHHHHHHHHHHHHHH” e foge a correr desvairadamente.

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Domingo, Julho 10, 2005

Mangnalhum 5 Sente Ímetros – Alberga-os...

Os novos gelados da Chupajá são uma explosão de sabor e aroma. Abocanha já o teu, em 5 variedades diferentes:

Tesão: duro e firme, um verdadeiro teste para as bocas mais violentas e insaciáveis. Um gelado que dura muito tempo... nalguns casos.

Betadine: um sabor dolorosamente doce, quente e metálico. Um gelado que se come sempre como se fosse a primeira vez. Em algumas pessoas chega a provocar gritos incontidos.

Doce de leitinho: para uns amargo, para outros doce, muda conforme a boca que o prova, mas sempre sem perder a cor branca e o bom sabor do leitinho;

Rose Bottom: um sabor suave e rosado, sempre indecifrável. Alguns dos gelados vêm com algumas surpresas para os mais sortudos: pepitas de chocolate;

Jorro dourado: o sabor ácido do limão, sempre quentinho e bem amarelo. Se sacudires bem o gelado verás que há sempre mais um pouco;

Passa um verão com a boca cheia... à grande, com a Chupajá

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Quarta-feira, Junho 15, 2005

Violência na praia

Estava um sábado solarengo de primavera, o tipo de dia por que qualquer português anseia depois de meses e meses de um Inverno cinzento e exaustivo, para se deleitar com uma boa tarde de praia. Milhares de pessoas aproveitavam ao máximo essa pequena amostra do que muitos gostariam, mas apenas alguns teriam um par de meses mais tarde nas férias de verão. Mas algo se preparava para estragar essa tranquilidade.

Ao início poucos, com o passar do tempo muitos mais, indivíduos de aparência estranha começaram a aglomerar-se de forma suspeita em locais estratégicos da praia. O seu aspecto bastante contrastante devia-se às suas roupas estranhas, envoltas numa escuridão sombria. Aos poucos começaram a atacar os incautos veraneantes.

- Ai filho, que rabinho tão bom!! Papava-te todo!! – atacou uma personagem de bigode um surfista bronzeado

- Com essa camisinha até te dava três ou quatro andares novos esta noite lindinho – lançou um tipo de cabelo ruivo em cuecas de cabedal fio dental

O caos alastrou rapidamente à medida que a turba avançava pela praia. Este tipo de acção, conhecido por Enrabadela ou Enrabão era bastante comum nas praias do Rio de Janeiro. Nem as mulheres e as crianças escapavam à fúria das bichas.

- Sua pindérica!! – berrava um indivíduo de cabelo lustroso e barbicha, puxando os cabelos de uma senhora – O teu marido precisa é de uma mulher como eu, com esfregona e pau de vassoura incluída!!

- Vai lá chamar o paizinho puto – dizia um camionista de camisola de alças branca – tenho aqui um chupa para ele!!

As pessoas, especialmente os homens heterossexuais, tentavam fugir como conseguiam, mas a maioria era rapidamente apanhado quando virava as costas, visto esta ser a principal especialidade dos criminosos.

Quando o desespero parecia ter tomado conta de todos, eis que chegou a polícia. Vários agentes fardados rodearam rapidamente a praia com ar ameaçador, e as vítimas deitadas pela areia tiveram um rasgo de esperança de salvar os seus precisos bens traseiros. Mas, de um momento para o outro, todos os agentes sacaram dos cacetetes e tiraram as calças, ficando de cuecas. Um deles, o agente de maior estatuto, sacou do megafone e disse.

- Vamos lá pessoal, todos comigo: “First I was afraid, i was petrified” – cantou o agente, continuando com a bonita cantilena à medida que os deliquentes na praia agitavam as ancas ao som da música, e os candeeiros acendiam e apagavam.

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Segunda-feira, Maio 09, 2005

Comunicado Oficial da Recreatividade Integracionista das Personagens e Artistas Nescia, Alarme e Brutalmente Abandonadas ao Oblívio

A Recreatividade Integracionista das Personagens e Artistas Nescia, Alarme e Brutalmente Abandonadas ao Oblívio (R.I.P.A.N.A.B.A.O.) e os seus associados (os poucos que ainda pagam as quotas) vem por este meio levantar um Abaixo-assinado contra a sociedade em geral, e o mundo em particular, devido à sua tentativa infâme de os tentar fazer cair no esquecimento neste blog. Os nossos associados têm todo o direito, e repito, TOOOOOOOOODO o direito de continuar a protagonizar toda a javardice e ordinarice que em dias há muito idos tiveram opurtunidade de fazer.



Com as mais cordiais saudações

Guarda Régio
(guarda fanático por colegiais e B.D.s, secretário geral da R.I.P.A.N.A.B.A.O. nas horas vagas)



Assinaturas:
Pimba
Pau
Sissi
Pasteleiro
Bébé Geriófilo
Maria Inês
Tesão, Duque das Florzinhas
Maximiano
Gaja galgada que caiu do tecto do laboratório

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Quarta-feira, Abril 27, 2005

Alexia e Tutu - Apocalipse Tau (parte IV) - Fim - Fin - Le Grand Finale - PUM

A loura estacou, semicerrando os olhos na direcção do seu antigo companheiro. A dúvida pareceu surgir na sua mente, imobilizando-a. Tranco, aproveitando o momento disparou vários raios da sua arma na direcção do peito de Alexia, que refulgiu ricochetando, acertando em cheio em S.P. Fronhé, que cacarejou de dor. Tutu atirou-o com violência para o chão, e limpou as lágrimas.
- Pai... não... – guinchou Alexia, correndo para junto de S.P. Fronhé, que apresentava um ferimento na cabeça – não me abandones...
- Nã nã nã, nada disso – gemeu o indiano – burro velho não aprende, nem morre assim... Dá-me aí o cachimbo!
- Ele não é teu pai Alexia!! – disse Victor Gina – É um criminoso... um monstro!
A loura pousou carinhosamente o moribundo, que parecia aliviar a sua dor puxando ávidos bafos do seu cachimbo, e levantou-se, com um olhar perigoso na direcção de Tranco
- Vais-me pagar!! – gritou, correndo na direcção da traidora de Fronhé. Contudo, a meio caminhou estacou quando um vulto lhe saltou para as costas – Mas, mas o que é isto??
- Minha Deusa!! – disse um Guarda Régio cheio de desejo, que se agarrava solidamente às costas e ao rabo de Alexia – Não vou morrer sem te possuir! Ahhh!! – Gemeu de prazer à medida que cavalgava a loura, tentando romper as suas protecções metálicas traseiras. Alexia, furiosa, saltava, bufava e mandava-se contra a parede, desesperada por não conseguir ver-se livre do GNR tarado. Tutu correu na sua maneira caraterística, e com um só movimento violento carregado de ciúmes arrancou Régio de cima de Alexia e atirou-o contra Cléo, que estava deitada junto à parede.
- Olá beleza – disse o GNR com um olhar reluzente para a informadora da esquadra de Monsanto, saltando-lhe de seguida para cima.
- Parem!! – gritou Laura Tranco – Lá em baixo!! O outro prisioneiro está a correr na direcção dos reservatórios de hidrogénio, e parece ter uns... explosivos!! Se lá chega é o nosso fim, fazemos uma cratera que se vê da lua!!
- Ããããã... esse não é o agente do posto de Sintra? – perguntou Tutu
- Não, eu sei quem ele é – disse Victor Gina, olhando pela janela – O seu nome é Stefalo, e pertencia a um grupo rival de Fronhé, que este aniquilou, controlado pela Calimera Escarros. Se ele aqui está, o seu pensamento é só um, o da vingança!!!
- Ãããã... Alexia... por favor – suplicou Tutu – só tu o podes parar... Em nome de todos os momentos que passamos juntos... especialmente aqueles em que estavas de joelhos...
Alexia pareceu ter uma sensação de reconhecimento, e hesitou. Olhando para Tutu uma lágrima escorreu pela sua face. Aproximando-se da janela, pareceu tomar uma decisão e saltou, aterrando no pátio do edifício Aparte Mental com toda a suavidade que do uso dos seus propulsores anais lhe permitiam. Com alguns saltos colocou-se entre um surpreso Stefalo e os reservatórios de hirogénio.
- Mas... olha quem é ela! – disse o desnudado louco – Com um novo look desde que me abandonaste lá atrás depois do fellacio, mas o mesmo ar cabresco! Vens para o fogo de artifício final é?
- Venho... para te parar - sibilou Alexia – a bem... ou a mal!
- Tu??? Minha reles, não és adversária para mim, vou explodir com tudo, tudo!!! –. e sem hesitar lançou três jactos de bromo na direcção da loura, que se esquivou, embora com alguma dificuldade. O perigoso líquido foi acertar mais atrás nas partes baixas do corpo de Arata, que gemeu dolorosamente. Ao fazer menção de avançar na direcção de Stefalo, o louco gritou para Alexia.
– Para!! Toca-me e estes bébés susceptíveis vão dar-te uma nova cor a esse rabinho!! - disse, dando umas palmadinhas nos frascos de nitroglicerina, enquanto disparava inúmeros jactos da sua arma. A loura foi obrigada a dançar por entre os feixes, que lhe foram rasando e ferindo alguns pontos do corpo, até que com um salto conseguiu agarrar a pistola e lutar pela sua posse com Stefalo.
- Não conseguirás! Não conseguirás! – gritava Alexia, ferida, enquanto o ex-prisioneiro ripostava, os dois bem juntos – Ah ah ah! Quanto mais abanamos, mais perto ficamos de ir pelos ares! Ah ah ah!
Os dois vultos lutavam furiosos, não se apercebendo que Arata se levantava, furioso e cheio de dores quer pela sua virilidade agredida, quer pelo seu almoço que nunca mais chegava. Uivou assustadoramente enquanto carregou sobre os dois inimigos que, apanhados de surpresa, foram arrastados pelo gigante na direcção dos reservatórios de hidrogénio. Um cambaleante e muito ferido Arães, observando pela janela do 7º andar, conseguiu antes do impacto e da grande explosão lançar um grito que se ouviu por quilómetros e quilómetros
– Ca putááááááááááááááááááááááááááááááááááááááááá!


No dia seguinte, algures no Norte do País

Uma mulher pequena, magra, postulenta e de idade avançada entrou na sala. Trazia um vestido simples, usando por cima um avental velho e sujo, e na mão um tabuleiro com pastéis de nata ressequidos. Aproximou-se do cadeirão que se encontrava junto a uma janela, no qual se encontrava alguém a fumar um charuto.
- Então jovem, coma lá um pastelinho para comemorar – disse a recém chegada num sotaque característico, atirando para cima da mesa um jornal onde a manchete era acompanhada por uma fotografia de um edifício destruído e em chamas.
- Excelente, excelente, Dona Crosta! – respondeu o outro também de idade avançada, de barbas e usando uns calções que pareciam mais umas fraldas – Não há nenhum sobrevivente?
- Ò Doutor Xanana do Infarmed, nem um... – esclareceu – Vá coma, tenho ali mais uns mistos e umas sandochas, tem que se alimentar bem que agora vamos ter muito trabalhinho, o mercado das ervas sintéticas é nosso – disse, gritando para a porta no seu vernáculo habitual – Ò Rato, traz os panadinhos!
Uma gargalhada maquiavélica ecoou, à medida que um plano zoom out (que só é possível nos filmes mas que me apeteceu estupidamente referir aqui porque vou acabar esta trampa agora) se afastava do edíficio.


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Domingo, Abril 17, 2005

Alexia e Tutu - Apocalipse Tau (parte III)

O fugitivo contemplou o que se lhe deparava com a confiança de um louco que ele de facto era.. Algumas dezenas de GNRs dominavam inúmeros criminosos por entre um também grande número de cadáveres, no que parecia ter sido um violento palco de batalha. A sua tonalidade habitualmente pálida enrubesceu ao situar a visão chispante no seu objectivo, que distava cerca de 300 metros de distância.
- O dia do juízo final chegou para vocês!! – berrou, correndo pelo pátio disparando jactos da sua arma de Bromo no Ponto Crítico (TM, ou então não), abatendo todos os que lhe ousaram fazer frente até o ar ficar carregado de uma tonalidade laranja do líquido corrosivo - Agora nós – disse, libertando-se das suas roupas esfarrapadas, por baixo das quais se encontrava totalmente nu, usando apenas três coletes com uns frascos estranhos e o pénis pintado com as cores da bandeira da Índia.



Alexia hesitou durante um segundo, rodando de seguida sobre si própria. Com uma rapidez impressionante saltou alguns metros e trespassou por trás um incauto Drinho Ludemar, que lançou um lancinante uivo, de dor ou prazer indistinto.
- Ãããã, Alexia... não... – choramingou Tutu – o teu rabinho... que saudades...
Num único movimento a loura libertou a sua arma, limpou os cantos da sua cilíndrica boca e, numa dança mortal e exótica saltou, esventrando Careca Rapel (que aproveitou o seu último suspiro para fungar) e ferindo no rabo Bicha. Os seus olhos estavam como que mortos, ao contrário do seu traseiro que parecia querer saltar das suas protecções metálicas. Laura Tranco estava atónita no seu ar germânico habitualmente impassível, completamente apanhada de surpresa por aquilo que ela tinha pensado ser apenas mais uma tortura, ter sido afinal a transformação de um inimigo naquele ser híbrido louro e mortífero.
- Isso meu bébé, mata, mata em nome do teu pai! – delirava Fronhé, dançando em cima da sua secretária com um aquecedor na mão – Mata que o teu papá recompensa-te com o chupa que tu tanto gostas!! Ai, a minha espondilose! – queixou-se, agarrando-se ao ombro
Alexia rodou novamente e correu na direcção de Tranco, ameaçadora. Dentes de aço, ainda suja com o sangue de Arães rastejou como um animal e ferrou as suas presas afiadas com toda a violência na nádega metálica da loura. Na face do animal surgiu primeiro a surpresa, e depois a dor ao constatar que os seus perigosos dentes se estilhaçavam sem ferir o inimigo.
- Ah ah ah – riu-se Fronhé – Amálgama de titânio-paládio-einsténio-caril, a mais dura do universo, e também a mais bem cheirosa! Criação minha, evidente! Aiii! – ginchou, caindo da secretária
- Agora chega!! – gritou Cléo, chorosa e transtornada pelo ferimento de Arães – Podes estar mudada, mas continuas a mesma pega reles de sempre! Vou vingar-me e vencer-te, tal como fiz à Pega Ricardo!! – disse, silvando como uma serpente. As duas arqui-inimigas encontravam-se frente a frente, mais parecidas que nunca. Salvo as horrendas cicatrizes de Alexia e os seus óculos, poderiam ser facilmente confundidas. Cléo puxou do rabo de Jonas Bicha um mega-vibrador afiado, e correu na direcção de Alexia a uma velocidade ainda maior aquela a que perseguia os clientes em Monsanto. Tocada momentaneamente por algo superior ao seu ser, conseguiu acertar em Alexia e feri-la no rosto, adicionando-lhe mais uma feia marca.A contra-resposta foi brutal, e com um soco Cléo voou pela sala derrubando o Guarda Régio e o termo de Arata. O gigante enfureceu-se pelo seu almoço ter sido interrompido (o 11º, cabrito assado no forno), e investiu violentamente como um rinoceronte na direcção da loura metalizada, soltando arrotos semelhantes a bramidos. Esta desviou-se no último momento, fazendo com que o peludo lutador de sumo rebentasse a parede e se estatelasse no chão sete andares abaixo.
- Ahhhhhh – guinchou Fronhé, com a voz abafada – como pudeste..ugghhh
- Ããããã... Alexia – disse Tutu, chorando copiosa e raivosamente enquanto esganava o indiano, cujo pescoço tinha apertado por trás – Ãããã... para imediatamente ou parto-lhe o pescoço como a uma galinha!


(eu sei, eu sei, prometo que desta só continua mesmo mais uma vez... ou então o Benfica ainda perde o campeonato porra!!!)

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Domingo, Abril 10, 2005

Alexia e Tutu - Apocalipse Tau (parte II)

Os dois amigos dirigiam-se rapidamente para o exterior do edifício. O aviso tinha sido claro: GNRs tinham encontrado o esconderijo, e encontravam-se neste momento a atacar as imediações.
- Rápido Paulito, rápido – disse o mais alto – Temos de os impedir de chegar ao velho e à mulher!
- Calma Pintarola – respondeu o seu ofegante colega – A outra gaja chata que não para de aparecer na guarita tira-me o fôlego todo!! Mais vale 30 GNRs que ter de a aturar!!
- Quem te vai tirar o fôlego sou eu! – gritou um ser de olhos felinos, que passou pelos dois serviçais do Fronhé a correr, atingindo-os com um líquido escuro que começou a corroê-los instantânea e dolorosamente – É apenas Bromo no ponto crítico seus maricas! O vosso fim chegou, e em breve o dos outros! – berrou, saindo do edifício e deixando as duas massas de carne agora indistintas contorcendo-se no chão


O silêncio do gabinete era sepulcral. A traição de Tranco emudecera todos os presentes, especialmente S. P. Fronhé, que estava tão hirto como o seu cachimbo tombado.
- Como... como me pudeste trair? Tantos anos de sínteses comuns... – balbuciou o indiano
- Como vê todos os criminosos têm o seu destino traçado – disse Victor Gina – devia ter-se dedicado à gastronomia, a um qualquer restaurante Indiano, ou a vender flores na Baixa. Foi abandonado até pelos seus, sim porque...
- Cale-se seu polícia estúpido e gordo! – atirou Tranco sem pestanejar, à medida que das sombras surgiam Drinho Ludemar e uma personagem animalesca babada de dentes salientes – Pensa que o ajudei? Usei-o apenas para reunir aqui todos os meus inimigos, e vencê-los a todos! Se bem que ali a bisarma já se adiantou com a Raposa...
- Fui, fui... usado? – disse Gina, incrédulo – Não... não posso.. já não era usado desde que fui violado por aquela brasileira de 80 anos...
- Também tu? – disse Fronhé a Ludemar, endurecendo a voz – Também tu me trais, a quem eu tratei como uma filha... filho... qualquer coisa?
- É assim, estou farto do seu cheiro a caril logo pela manhã!! – retorquiu o afilhado de S.P., acariciando o cachecol – Estou a precisar de apanhar outros comboios, percebe?
- Oh santa, se querias comboios podias ter falado comigo!! – ginchou Jonas Bicha do canto da sala onde estava acocorado
- Chega!! – gritou a impassível Tranco, enquanto tirava da bata uma pistola de secagem reluzente – Chegou a hora!! Ludemar, Dentes de aço, ataquem!!
Com um súbito salto o animal avançou aleatóriamente em direcção a Cléo, de dentes alçados e escorrendo um fio de baba. No último momento Arães, num gesto de sacrifício para salvar a sua companheira saltou para a sua frente, sendo atingido de lado e ficando com o braço dilacerado. No outro lado da sala, Ludemar agarrou nos colarinhos do Guarda Régio e começou a esbofeteá-lo, enquanto Laura Tranco avançou ameaçadoramente com a sua arma em riste na direcção do indiano. Arata ergueu a vista, observando aparvalhado o reboliço e arrotando audívelmente, continuando de seguida calmamente a degustar o seu quinto almoço, Bacalhau à Zé do Pipo.
- Ah ah ah ah! – riu-se Fronhé, largando uma histérica e insana gargalhada, que imobilizou toda a gente – Nã nã nã, ainda não estou acabado, nada disso!! Alexia, meu anjo louro, vem, vinga o criador da tua nova vida!!
- Ããããã... Alexia! - disse Tutu, com os olhos cheios de lágrimas ao ouvir o nome da sua amante
Do tecto surgiu o vulto, completamente mudado, de Alexia.Várias partes do seu corpo desnudado estavam revestidas a metal, em particular as sexuais. O seu cabelo louro outrora comprido e lustroso, estava agora curto e baço rente à cabeça. A sua cara estava marcada por horríveis cicatrizes e bexigas, e a sua boca distorcida numa forma cilindrica, como que insinuando aquilo que a antiga Alexia tinha adorado praticar na sua anterior vida. A cara era ainda adornada com uns estranhos óculos de grossas lentes, que pareciam esconder outras funções além de melhorar a sua visão. O mais estranho era mesmo assim um objecto metálico vibratório e afiado que a loura trazia na mão. Noutros tempos um bastão desse calibre estaria já incrustado numa determinado parte do corpo da possuidora...

(continua, porque ainda falta a última parte da última parte)

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Quarta-feira, Março 09, 2005

Alexia e Tutu - Apocalipse Tau (parte I)

As canalizações oscilavam acompanhadas por um ligeiro som metálico à medida que um vulto de roupas esfarrapadas rastejava violenta e obstinadamente.
- Aqueles falsos! Mostrei-lhes a saída e eles abandonaram-me!!- rosnou, espumando-se – Vingar-me-ei! Mas primeiro a amostra de ghandi e a avestruz vesga da mulher dele, primeiro eles! Ahah... ahah! Vão beijar-me os pés, todos!! – gritou mais uma vez o vulto, interrompendo-se ao avistar uma saída por um respiradouro.
- Mas... o que é... isto??? – os seus olhos verdes brilharam com o conteúdo da sala para onde se preparava para escapar e que lhe iria permitir cumprir a sua vingança



A divisão estava cada vez mais envolta numa nuvem de fumo, provocando um ligeiro lacrimejar nos olhos de Cléo. A loura, juntamente com o seu chulaborador Arães e o alto Tutu, encontravam-se reféns de S.P. Fronhé no seu gabinete, situado no último andar do alto edíficio que lhe servia de base operacional. A seu lado estavam Lana Raposa, bem como Careca Rapel e Jonas Bicha, que sorridentes e acabados de entrar seguravam os cativos, por entre uma fungadela.
- Sim senhora, chegaram mesmo a horas! Tal e qual como Alexia! – disse S.P. aos 3 informadores da GNR – Autêntica pontualidade britânica! Ai como eu gosto desse país...
- Ãããã... Alexia? Onde está a Alexia?- choramingou Tutu – Ãããã... Não lhe fez mal pois não?
- Nã nã nã, nada disso! – disse o indiano, interrompendo-se ao ouvir uma grande agitação no exterior, juntamente com alguns tiros. Dirigiu-se à janela, e ao espreitar o seu semblante alterou-se, ficando visivelmente transtornado.
- Que se passa S.P.?? – perguntou Raposa – Que confusão é essa?
Nesse preciso instante um grande estrondo ribombou pelas escadas, e a porta do gabinete foi arrombada com grande violência. Por entre a ombreira da mesma um gigante barbudo de cuecas surgiu com um salto, indo aterrar precisamente em cima da mulher de Fronhé. Os seus olhos rolaram momentaneamente nas órbitas alinhando-se como os de qualquer pessoa normal, o que provocou um largo sorriso em Lana Raposa durante o fugaz momento imediatamente anterior à sua cabeça ser esmigalhada por um enorme termo de comida com que o gigante se fazia acompanhar. A seu lado surgiram então o Chefe Victor Gina e o seu fiel escudeiro, Guarda Régio, que prontamente dominou Careca Rapel, enquanto Bicha guinchava estericamente num canto, de rabo para o ar, inofensivo(a).
- Os seus dias de tráfico acabaram velha chamussa! – cuspiu Gina – Os meus homens encontram-se neste momento no controlo do edifício Aparte-Mental. Solte os meus agentes! Já! – berrou para S.P. Fronhé
- Nunca pensei ficar tão feliz em vê-lo... – admitiu Cléo, emocionada – Mas obrigado, por nos ter salvo! O que posso lamber para o compensar?
- Ãããã... mas Chefe, ele ainda tem a Alexia – disse Tutu aflito, coçando o rabo – Ãããã... acho que lhe fez mal!
- Não! Alexia... Essa deusa moderna... essa afrodite dos meus sonhos... – suspirou Régio - Não lhe pode ter acontecido nada! Não sem antes eu ter provado o seu saké, o seu sumo, a sua c...
- Cala-te pá!
Não vês que a coisa é grave, sua besta! – reclamou Victor Gina – Se lhe fizeste alguma coisa, eu juro que te deixo esse rabo tostado pior que a ultima brasileira que me passou pelo estreito! – acrescentou, dirigindo-se ao traficante que se encontrava mudo de espanto olhando para a sua mulher esmagada por Arata, que comia alegremente do termo algo parecido a Rojões à Transmontana
- Mas... como descobriu a minha base? – sussurrou Fronhé, distante – Como? Como foi possível?
- Pergunte à sua colaboradora. Ela sabe bem – sorriu amargamente o Chefe – Onde está Alexia? Só lhe pergunto mais uma vez!!
- Mas quem? Quem trairia este velho tonto e fraco? – perguntou novamente fronhé, deixando cair o cachimbo já apagado
- Eu mesma, seu velho irritante! – disse uma vitoriosa e confiante Laura Tranco que, silenciosa, entrara no gabinete

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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005

Alexia e Tutu - Cléo e Arães tomam as rédeas

As luzes que atravessavam os vitrais existentes em todas as janelas da divisão pareciam dar-lhes vida, fazendo com que as ilustrações de influência Kama Sutrica neles representados parecessem vibrar de prazer, num orgasmo infinito. Alexia fitava-os de olhos (todos os três) semicerrados, por entre uma dormência latente. Estava deitada numa bancada havia horas, sofrendo todas as torturas que a própria personificação do Mal (bom, um pouco mais oleoso e bronzeado do que essa personificação seria) de toda a humanidade (pronto, talvez apenas da zona de Lisboa e Vale do Tejo), S.P. Fronhé, lhe ia infringindo, e da qual ela, por vezes, até gostava.
- Uma menina rija que aqui temos. A tuff one, como dizem os ingleses – riu-se o velho indiano – Mas estás prestes a quebrar. Vais ficar a conhecer o teste final... Raposa, Condensador Rego-Sintético!!
- E o seu ponto é? – atirou Alexia – Já tive coisas muito maiores que um condensador dentro de quase todos os orifícios do meu corpo! Não me intimida com isso! – gritou a loura, notando pelo canto do olho que Laura Tranco se ausentava da sala, talvez impressionada com as torturas que tinham sido levadas a cabo na sua presença.
- Nã nã nã, nada disso! Este é um condensador... diferente. Em breve vais percebê-lo... e senti-lo. Literalmente falando! – cacarejou Fronhé na sua dialética característica
- Fascinante a resistência da juventude S.P. – comentou Lana Raposa – Minha passarinha, prepara-te!


Tutu espumava e bufava enquanto puxava e repuxava o rabo alvo de Cléo.
- Mas que força puraAIII! – queixou-se Cléo – Calma rapagão! E não é que a brochista da Alexia tinha razão? Este homem é um animalAIII!
- Já chega pá! – interrompeu-os Arães – Temos de ir, tentar escapar daqui! Agora que já o consolaste bamos ou não?
- Humm, sim... Foi um prazer Tutu – disse Cléo, puxando as calças para cima – Quem sabe não teremos outra oportunidade, mas agora temos realmente de ir andando – acrescentou, dando um pequeno apalpão no rabo peludo ainda desnudado de Tutu.
- Que putá!! – vociferou Arães, desapertando a braguilha – Abre lá essa boquinha que antes de nos pormos na alheta é a minha vez!
Uns momentos e uns engasganços mais tarde, os três espiões encontravam-se novamente a rastejar pelo labiríntico conjunto de canalizações. Bifurcação após bifurcação, a fuga parecia cada vez mais remota. Até que na escuridão surgiu uma luz. E com ela, vozes.
- Parece que chegamos às cozinhas – sussurrou Cléo – panelas e mais panelas! E estão lá em baixo dois homens! Oiçam!
- Oh santa, estou farta disto – disse o mais alto, de barbicha e jeito afectado – Eu sei que é preciso dar o corpinho pela causa, mas estamos cá em baixo há séculos!!
- Cala-se e trate de trabalhar – disse o careca, fungando ruidosamente – ele pôs-nos cá em baixo, temos de aguentar... pelo menos até este produto estar pronto. Depois logo se vê.
- És mesmo parba, não são as cozinhas, são os laboratórios de erbas sintéticas! – disse Arães, do alto da canalização – É a nossa hipótese de sair daqui! Eles são dois, nós 3! Bamos a isso Tutu?
- Ãããã... está bem. – concordou o parceiro de Alexia, coçando o baixo-ventre - Ãããã... e a Alexia?
- Logo se bê! Ela é esperta, safa-se bem! Bamos então! – disse, saltando de imediato pela abertura para a divisão em baixo, seguido por Tutu e Cléo.
- Aiii, mas quem são vocês?? – disse o da barbicha, saltando para um banco, visivelmente aterrorizado – Dois bonitões e uma javardona!!
- Façam pouco barulho e nada de mal vos acontecerá – disse Cléo – Apenas queremos fugir daqui!!
- Fugir?? – fungou o careca – Ninguém vai escapar ao Fronhé pelo laboratório do Careca Rapel e Jonas Bicha! Marcovnikov, E.Levita, Relva Daninha, apanhem-nos! – gritou o Careca, enquanto premia um botão por baixo de uma bancada. De um canto abriu-se de par em par uma porta automática, de onde surgiram mais personagens prontos a apanharem-nos
- Ãããã... venham-se mas é daqui embora! – gritou Tutu, desatando a correr e saindo pela porta mais próxima, logo seguido pelos outros.
A saída dava para um lanço de escadas que subia. Os fugitivos foram subindo degrau após degrau durante o que pareceu ser uma eternidade, indo desembocar noutra porta aparentemente não vigiada.
- Entrem, depressa! – gritou Cléo – eles estão a chegar!!
Entraram de rompante na sala, trancando a porta com um extintor familiar e um aquecedor, depois de afastarem o rabo de Cléo já alçado no objecto de combate a incêndios.
- Bem, parece que estamos safos – disse Ãraes – Será que alguma bez escaparemos desta fortaleza?
- Nã nã nã, nada disso! – disse uma voz numa cadeira de couro, por entre uma nuvem de fumo aromático – Vieram ter directamente às minhas mãos... e ao meu longo cachimbo!
- Que bom, que bom, adoro cachimbadas e coisas longas!! – disse Cléo, baixando novamente as calças e pondo-se de gatas, visão que fez Tutu começar a desapertar o cinto.

(continua, mas só escrevo isto mais uma vez)

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Terça-feira, Janeiro 11, 2005

Alexia e Tutu - A fuga

Estava uma tarde calma e solarenga. O género de tarde que não dá vontade de fazer nada. Tratando-se do Guarda Régio, esse inactividade era de certo modo aumentada aos milhões. Bom, pelo menos algum tipo de inactividade.
- Xiiiii, que bonito rabinho – dizia o agente, segurando uma revista com a única mão visível por cima da mesa – vem... vem....AAHHHH!!
- Mas o que se passa aí?? – disse uma voz anasalada pelo intercomunicador – Outra vez a brincarem à apanha com a mulher da limpeza?
- Nã... não chefe! – disse apressadamente Régio, enquanto limpava a mão a uma carta com o selo do ministério – é que os entalei... os dedos!
- Bem bem, vamos lá a acabar com as paneleirices! – barafustou Victor Gina – Prepara o Arata e os outros, temos festa!!
- O Arata?? – perguntou o outro, imaginando que tipo de problemas necessitariam do barbudo lutador de sumo - Mas que se passa Chefe??
- Alexia – esclareceu – finalmente notícias. Temos a localização da base do Fronhé, mas é preciso agir mais depressa do que eu trato de um bumbum gostoso! Despachem-se!! – gritou, encerrando a comunicação.

A alguns quilómetros dali, dentro de uma comprida canalização uma loura de saia encontra-se na sua posição mais natural, ou seja, de gatas.
- Estou cansada Tutu, não consigo rastejar mais... – disse Alexia, a sua voz ecoando nas paredes do sombrio cano por onde tentavam fugir – e tenho fome...
- Ãããã... queres um pepino? – sugeriu o seu companheiro, levando a mão ao bolso
- Tutu! Como podes pensar nisso agora? – ralhou Alexia, ajeitando os óculos – Temos uma bifurcação ali à frente... vamos por qual lado?
- Mas porque é que aqueles dois pararam? – perguntou Cléo – não é hora para broches sua porca! Já chegou o que fizeste ao desgraçado que deixámos lá na cela!
- Não é isso, ela queixa-se dos joelhos – disse Arães com o seu sotaque nortenho característico – Quem diria, depois de tanto os esfregar nas matas de Monsanto já deviam estar calejados – acrescentou, rindo-se com grande vontade.
- Querem o quê meus vadios nojentos? – espumou de raiva a loura – Tutu, vamos embora já! Vamos pela esquerda, eles que vão pelo outro lado!! – e dito isto começou a gatinhar com uma velocidade furiosa.
- Isso, boa viagem sua Cicciolina na reforma – disse a outra loura escarnecendo
- Ãããã... Alexia... ããã.... espera – disse Tutu tentando segui-la no seu jeito natural atrapalhado, mas sem sucesso. Ao fim de algumas dezenas de metros e novas bifurcações o rapagão estava perdido quer da loura, quer dos outros dois.
- Ãããã... Alexia... não me deixes sozinho – choramingou, encolhendo-se.

Toldada pela raiva Alexia rastejou durante metros até se aperceber que tinha deixado para trás Tutu. Preparava-se para voltar quando ouviu algumas vozes vindas de um respiradouro mais à frente. Aproximou-se silenciosamente e espreitou.
- Nã nã nã, não quero ouvir nada disso! – vociferou um indivíduo indiano de idade avançada – Encontrem-me aqueles cinco e já!
O próprio S.P. Fronhé estava sob os pés Alexia num escritório, discutindo com Lana Raposa. “Tenho de sair daqui e avisar o Chefe Victor!” pensou, tentando dar a volta e continuar pela canalização.
- Mas S.P., eles meteram-se nas canalizações, e aquilo é um labirinto! – disse Raposa tentando acalmar o marido – Podem estar em qualquer lado! Até mesmo por cima desta... – calou-se quando o seu olho aéreo detectou de facto movimento na abertura vísivel do gigantesco cano branco.
Num ápice a conjugue do traficante agarrou numa pistola de líquidos iónicos e disparou para o cilindro metálico, fazendo a estrutura começar a derreter e a tremer. Alexia tentou escapar em vão, caindo juntamente com algumas secções metálicas em cima da secretária.
- Olha quem aqui temos, uma menina tão bonita – disse Fronhé com o seu sotaque pouco perceptível, aproximando-se – Tu é que és a célebre Alexia?
- Seu.. seu... indiano oleoso nojento! – atirou a loura – nem ouses pôr-me a mão em cima!
- Vou pôr muito mais Alexia, muito mais... Gostas de chamussas? Ou de croquetes com caril? Tenho um... longo! negócio para te propôr...
(Continua)

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Domingo, Dezembro 19, 2004

Alexia e Tutu - Os prisioneiros

Um leve balancear fazia com que o rabo de Alexia adquirisse também um estranho ritmo, o que acabou por despertar a loura:
- Agora não Tutu, dói-me a cabeça – reclamou, abrindo os olhos ainda vagamente ensonada, constatando com surpresa por entre as suas pálpebras entreabertas que se encontrava num barco, e amarrada. Quem abanava o seu empinado traseiro não era (desta vez) o seu companheiro, mas sim o movimento cadenciado do que lhe parecia ser um cacilheiro velho e ferrugento. “O gás... fomos apanhados pela Lana Raposa! Que estúpidos!” pensou Alexia observando os outros três vultos “Estamos aqui os quatro amarrados por causa daquela pega Cléo!” . Durante alguns momentos Alexia tentou em vão libertar-se tentando fazer uso de tanta prática de algemas, até que, extenuada, se deixou dormir mais uma vez.

Quando acordou novamente estava a ser transportada em ombros por Paulito e Pintarola na direcção de um edifício branco com vários andares e geometria estranha.
- Para onde me levam? – perguntou assustada a loura aos seus captores.
- Pouco barulho sua puta! – ordenou Paulito – Por agora vais fazer companhia aos teus amigos, e mais tarde o patrão vai tratar de ti! Vais ter o prazer de provar o seu cachimbo aromático - acrescentou, sorrindo – E como ele gosta de meninas com ar de porca!
- E vocês... não gostam também? – disse Alexia aos dois, fazendo uma tentativa desesperada – Nem sabem as maravilhas que a minha boca era capaz de fazer às vossas cabeças de camarão...
- Nem quero saber sua loura nojenta! Essa língua não chega para mim, tenho muito melhor... e maior! – cuspiu Paulito, acabando com as poucas esperanças da informadora.

Entraram os três no edifício e seguiram por um labiríntico conjunto de corredores cujo tecto era composto por canalizações de vários feitios e tamanhos. Depois de algum tempo chegaram a uma sala sombria para onde Alexia foi atirada, e logo a porta metálica se fechou após a saída de Paulito e Pintarola. Da quase total escuridão surgiu uma voz:
- Ããã Alexia, estás bem? – perguntou um Tutu audivelmente abalado
- Estou Tutu... apenas um pouco dorida. Sinto-me como aquela vez em que chegou o um lote de aríetes de arrombamento à esquadra... não consegui sentar-me durante um mês! – queixou-se a loura
- Ainda hoje não consegues seu túnel de metro por fechar! – atirou uma voz feminina da escuridão
- Cléo, sua vacarrona nojenta! – espumou Alexia – antes isso que fazer desaparecer com o rabo as bocas de incêndio de Lisboa inteira!!
- Vá meninas, já chega – apaziguou Arães no seu sotaque nortenho característico – Não comecem, foi por isso mesmo que fomos apanhados! Tentem dar tréguas uma à outra durante uns tempos...
- Mas quem consegue resistir a escarrar naquela vadia? Não tenho culpa... – lamentou-se Cléo

A troca de insultos foi interrompida pela entrada de uma figura feminina de óculos, ruiva e meia idade na sala que lhes servia de prisão. Trazia consigo um carrinho cheio de comida, e vinha armada com seringas carregadas de um gás misterioso.
- Ãããã quem é você? - perguntou Tutu com um ar esfomeado, mais pelas pernas da mulher que pela comida
- Não interessa muito quem sou, mas se querem mesmo saber chamo-me Laura Tranco- esclareceu a ruiva - Trabalho para o Fronhé e sou responsável por vocês os cinco, pelo menos até ele resolver o que fazer.
- Cinco? Mas nós somos só... – calou-se Alexia quando reparou que a um canto da cela improvisada estava realmente um rapaz de barba rala e tez algo pálida com as roupas em farrapos. – Pobre coitado... quem é?
- Um agente de uma esquadra qualquer em Sintra que nos seguia – esclareceu Laura Tranco – Foi torturado nos laboratórios com botijas de azoto e atirado para aqui antes de vocês chegarem. Mas chega de conversa fiada. Aproveitem o tempo que vos resta e comam uma última refeição, ou se preferirem, uns aos outros – riu-se, fechando a porta - venho buscar-vos daqui a bocado!

Alexia e Tutu preferiram chegar-se perto do rapaz, enquanto Cléo parecia seguir a sugestão de Tranco e atirar-se de boca escancarada pronta a dilacerar o sexo de Arães.
- Olha o que nos espera Tutu... ser torturados até não passarmos de figuras retorcidas... – choramingou a loura - não será melhor cavalgares-me o rabinho uma última vez?
- Ãããã... Alexia, ele está a tentar dizer qualquer coisa – disse o companheiro da loura
- Aquele... aquele indiano oleoso... – murmurou o agente moribundo, com os seus olhos verdes brilhando – vou fugir daqui... vou vingar-me!!
- Poupa as tuas forças pobre diabo – tentou consolá-lo Alexia, massageando as suas partes baixas – não há maneira de escapar...
- Eu... eu sei como... – confessou, surgindo-lhe um sorriso de prazer no seu rosto marcado – sei como podemos... escapar!! Pelas.. pelas canalizações!!
- Tutu, esquece a cavalgada!! – disse Alexia notando pela primeira vez o tamanho absurdamente grande das canalizações que também estavam presentes no tecto da sala - Tratas do meu rabo mais tarde, vamos fugir daqui!!


(continua)

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Quarta-feira, Dezembro 08, 2004

Sonhos esbranquiçados

“É apenas mais uma madrugada” – pensou ele enquanto baixava com violência o rolo de madeira sobre a massa tenra e se virava. O seu gorro outrora branco estava amarelo e manchado, revelando às mentes mais perspicazes as práticas habituais a que o seu dono se dedicava. Dirigindo-se à despensa disse para o vulto junto à janela: “Foi nojento, cozinhas mal como a merda. Pôe-te lá fora. ” e coçou o rabo com uma haste da batedeira.

Tinha sido só mais um souflê de ananás com abacate, mais uma sobremesa que prometia ser requintada, mas que tinha acabado por dar numa banal mousse de pacote. Era triste. O seu vício secreto de se deliciar com a comida preparada por roliças cozinheiras estava a tornar-se perigoso, sobretudo para o seu fino palato.

Ainda se lembrava de como a tinha seduzido em frente ao salão paroquial. Reparou nela primeiro pelos seus fartos seios, depois pelo Pantagruel que trazia debaixo de um dos braços. Estava com mais 3 amigas, numa reunião de alunas de cursos de cozinha por correspondência, como agora estava na moda. A sua camisola suja de chocolate foi o toque que fez com avançasse.

Simulou passar casualmente pelo grupo de amigas, e subtilmente fingiu tropeçar e esbarrar com a massa imponente que era o seu alvo, um autêntico bisonte americano. Desculpas trocadas e um dedo de conversa chegou para irem beber um café na esquina. Ele padeiro e cozinheiro nas horas vagas, ela cozinheira na tasca da Dona Josefa, e o desejo entre ambos cresceu mais rápido que claras em castelo a serem batidas. Saíram e dirigiram-se para a padaria onde ele trabalhava na sua carrinha de distribuição do pão.

Enquanto ele guiava para o seu destino, ela começou a descrever as suas últimas habilidades culinárias, enquanto se esfregava com os éclairs recheados que se encontravam no banco traseiro. Ele delirou e tentou lamber o creme de um dos pés da sua cozinheira recém seduzida, quase perdendo o controlo da viatura à medida que os tabuleiros de croissants caíam na parte detrás da carrinha.

Chegaram à padaria tão ansiosos como lambuzados, e enquanto ele vestia a sua farda ela ia-lhe colocando o gorro e manuseando os instrumentos culinários que tinha à mão. Teve estertores de prazer enquanto ela batia e batia, fazendo crescer cada vez mais o sucedâneo de ananás, apenas vestida com um avental que mal cobria a sua nudez de vénus de milo, ou pelo menos as suas dobras de gordura abundantes. Num ambiente de transe simultâneo ele devorou o souflê que ela preparou, enquanto ele a estimulava com o ralador de queijo que usava para dar o toque final à sua carbonara. A orgia culinária repetiu-se vezes e vezes sem conta, acabando as iguarias por parecerem cada vez mais rotineiras e simples. Estava cheio, e só lhe apetecia vomitar.

Lembrou-se onde estava ao olhar para o boião gigantesco do fermento. “Ver se a outra já se foi para continuar a tratar da massa dos brioches.” Pensou, enquanto saía da pequena divisória, descobrindo a cozinheira já vestida mas a comer um prato de sonhos recheados que ele tinha preparado na noite anterior. “Já te disse para saíres minha Filipa Vacondeus de cantina universitária!” insultou, esperando que ela se fosse rapidamente embora. Largou os sonhos, levantou-se movendo os seus 140 kilos de gordura natural e dirigiu a palavra ao padeiro

-“Mijei no souflé... diverte-te”- disse sorrindo

Ele olhou para ela, sorriu ironicamente abanando a cabeça e, condescendente, atirou:

-“ De onde pensas que o recheio branco e leitoso dos sonhos que estás a comer vem? Engasga-te!”

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Segunda-feira, Novembro 22, 2004

Alexia e Tutu - O reencontro

Alexia espreitava sobre uns caixotes de madeira, empinando o seu traseiro proeminente realçado por uns calções de licra vermelhos. As pistas que a loira e Tutu tinham seguido levaram-nos a um armazém abandonado junto ao rio Tejo, algures na marginal.
- Ããã, vês alguma coisa Alexia? – perguntou Tutu, com a cabeça baixa junto às duas nádegas vermelhas da loura, tentando conter o fio de baba que teimava em escorrer.
- Cala-te! Não nos podem ver aqui, senão estamos feitos! – respingou alexia – Daqui só consigo ver 5 tipos a embalarem uns fardos e a carregá-los para umas carrinhas. Estranho, parecem ter o símbolo da... Transtejo! Deve ser para camuflar o transporte.
- Ãããã... isso não são os barcos? Não é melhor telefonar ao chefe Victor?
- Claro que não Tutu, só depois de termos mais informações. Vou tentar ouvir aqueles dois – disse apontando para os tipos e rastejando na sua direcção, ocultada pelos caixotes. Aquela posição de quatro lembrava-lhe sempre as noites animadas lá na esquadra “Que saudades!”, pensou, escutando então a dupla.
- Desta vez temos uma carga do melhor, Pintarola – disse o mais baixo para o outro – erva colhida e pronta a sintetizar, muito boa. O Fronhé vai ficar bem satisfeito.
- É bom que sim, porque lembro-me de uma vez em que a erva vinha estragada... O tipo que a entregou nunca mais foi o mesmo – disse com uma expressão de horror – desgraçado do Erto Atreu, foi torturado com colunas e placas de sílica, até os seus gritos ecoarem pelo edifício durante horas!
- Não te preocupes com isso, não temos nada a temer que a erva é boa – descansou Pintarola – temos de ver é se a Lana "Raposa" não nos chateia hoje!
- Quê, a mulher dele vem cá hoje Paulito? Mas que treta! – protestou Pintarola
Alexia achou que já tinha ouvido o suficiente e voltou para junto de Tutu. “Pelos vistos a festa é de arromba hoje, até a "Raposa" vai cá estar” pensou.
"Raposa" era nem mais nem menos que sócia e consorte de S. P. Fronhé. Geria-lhe os lençóis e os negócios, tratando de supervisionar directamente tanto uns como outros, bem como certos empregados. Algumas pessoas atreviam-se mesmo a dizer que sem ela o rijo indiano já não estaria a vender erva sintética, mas sim rosas.
- Tutu, parece que a Lana Raposa vai cá estar – disse Alexia ao rapagão – se a conseguirmos seguir e ao transporte da mercadoria podemos dar com o esconderijo do Fronhé!
- Ãããã... acho que isso também lhes deve interessar – disse Tutu, apontando para duas figuras que surgiam das sombras, uma feminina e outra de barbas.
- Cléo!! – gritou Alexia, atónita - grande pega, o que fazes aqui??
- Grande, e com muito gosto minha reles – respondeu Cléo – estou aqui pelo mesmo que tu: o indiano.
- Sua... sua nojenta! – disparou – este caso é meu e do Tutu, não te vou deixar intrometer!
- Não podes fazer nada, grande porca – riu-se a outra loura – estou neste caso, e até aos meus grandes peitos. E já agora, arranjaste novo chulo foi? Sempre gostaste deles grandes e moles!
- Eu trabalho sempre por conta própria – disse Alexia, reparando pela primeira vez na figura esguia de barbas, vestindo um sobretudo e que ladeava Cléo – já tu, minha cabra... Novo gerente do entrepernas é? Saiu de onde, casal ventoso?
- Os teus insultos sempre me puseram bem disposta Alexia – riu-se com uma gargalhada bem sonora – este é o meu parceiro, o Arães. Deve ser bem mais útil que esse gigante aí.
- Ãããã, Alexia... – chamou Tutu, puxando o braço à loura
- Cala-te! – disse, furiosa – Antes gigante que pedinte! E realmente é bem grande, e a todos os níveis! E duro que nem uma rocha! E bem melhor que esse maltrapilho aí!
- Não sou um pedinte, mas punha-te a pedir por mais e mais depois de te mostrar aqui uma ferramenta – respondeu Arães, venenoso – a não ser que já estejas muito... consertada!
- Ãããã, mas Alexia... – tentou novamente o seu parceiro chamar-lhe a atenção
- Ãã nada, cala a boca Tutu! – ralhou outra vez a loura – ouve lá meu bandalho, vejo que já aprendeste os modos ali da pega Cléo! Queres o quê, que eu te... – continuava Alexia quando foi interrompida por uma quinta pessoa
- Muito bem meus passarinhos – disse Lana "Raposa", sem se saber bem para quem olhava – que estão aqui a fazer a espreitar? Está na horinha de dormir! Pintarola, Paulito, força com isso!
Alexia e os outros viram-se envoltos numa nuvem de gás, caindo quase imediatamente num sono letárgico e profundo. “E não é que o Tutu também usa a boca para outras coisas além do meu corpo...” pensou Alexia à medida que adormecia.

(continua)

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Quinta-feira, Novembro 04, 2004

Alexia e Tutu - A rival

O telefone tocava incessantemente há já alguns minutos, mas não havia maneira de Alexia obter resposta do outro lado da linha.
- Não sei o que se passa Tutu – disse, virando-se para o rapagão – o Chefe costuma estar sempre contactável... pelo menos enquanto não abrem alguns bares de strip reles.
- Ããã... talvez esteja ocupado com outro caso – aventou Tutu
- O Chefe?? Nada disso, um caso chega e sobra para ocupar aquela cabecinha, ao contrário da outra mais abaixo... – lamentou-se a loura, massajando o rabo - Essa come como se o mundo acabasse amanhã! Bom, vou tentar uma última vez.
Alexia pegou no telemóvel e marcou novamente o número do Chefe Gina, enquanto Tutu se regalava excitado com os seios de uma idosa obesa que passava.
- Sim? – respondeu Victor do outro lado da linha –Quem falUIII! Com os dentes não, já te disse, porra!! Isso é para chegar a usado pá!
- Chefe?? Está bem? Passou-se alguma coisa??
- Na.. não foi nada Alexia – gaguejou o GNR – estou aqui em.. reunião! com uma colega tua sul americana que ainda não se... adaptou! ao manuseamento dos cacetetes portugueses aqui da esquadra! Sabes, podem ser muito perigosos....
- Sei sei, Chefe Acho que já passei por algumas reuniões dessas... eu e algumas partes em particular do meu corpinho.
- Bom, mas afinal o que é queres? – Indagou – Ainda há umas horas daqui saíste!
- É que já recolhemos algumas informações – esclareceu a loura – conseguimos encontrar um lacaio do Fronhé, conhecido nos meandros do tráfico de ervas sintéticas
por Drinho Ludemar. Depois de uma certa persuasão de que o Tutu se encarregou – recordou Alexia com um sorriso o andar novo com que o desgraçado foi presenteado – conseguimos a data, hora e localização do próximo descarregamento, que vai ser supervisionado pelo próprio rei do tráfico!!
- Mas isso são informações do outro mundo!! – exultou Victor Gina – Eu sabia que podia contar com vocês os dois!
- Obrigado Chefe. Devo confessar que trabalhar com o meu novo parceiro está a ser um prazer – disse Alexia enquanto piscava o olho a Tutu, que coçava distraidamente o baixo-ventre – em todos os sentidos!!
- Eu sabia que uma pessoa tão... aberta! como tu o iria aceitar bem – disse, à medida que mudava o tom de voz – Alexia, o que eu quero agora é que vocês observem de longe essa transação e que tentem descobrir a sede da organização do S.P. Fronhé. É ainda mais vital essa informação se quisermos desmantelar toda a rede. Mas sejam muito cautelosos!
- Pode confiar em nós Chefe! – afirmou confiante Alexia
- Eu sei que posso miúda. E mais uma coisa – acrescentou – Soube que a Esquadra de Monsanto também está a desenvolver esforços para apanhar o bandalho. Sei que até já pôs em cena a sua melhor informadora: a Cléo.
- O quê?? – rosnou a loura, espumando de raiva – essa, essa vadia reles??
Cléo era uma antiga rival de Alexia. Cabelo curto e rente, de um louro claro mas algo baço, roupas menos ostensivas que as da outra, mas ainda mais susceptíveis de caírem com menos dificuldade, a inimizade entre as duas tinha surgido na altura em que competiam por uma esquina mais afiada no Intendente, e por um parquímetro mais longo no Técnico.
- Tem calma Alexia, ela não te faz sombra, és muito melhor que essa galdéria – tranquilizou-a o Chefe Gina – agora tenho mesmo que desligar, a esta hora o Guarda Régio já está a mostrar o calaGrosso à brasileira – disse, rindo-se satisfeito com a sua piada – boa sorte miúda.
A loura guardou, ainda em choque, o telemóvel. A sua Arqui-inimiga, agora também informadora e a trabalhar para a GNR. O que se seguiria, distribuírem vibradores com os pacotes de cereais? “Bem, até não seria má idéia” – pensou Alexia, à medida que um pouco do seu vestido humedecia.
- Tutu, estou um pouco rouca. Dás-me mais um pouco daquele teu xarope esbranquiçado em bisnaga? – perguntou
- Ããããã... então vem cá.
(continua)

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Domingo, Outubro 17, 2004

Alexia e Tutu - Duo TAUtâmico

Uma loira reluzente e bamboleante desce a avenida provocando os piropos de tudo o que é homem das obras e afins. “Grande rabo!”, “Grande par!!”, “Makukula matimba!”, “Skolensk tropnova!” são expressões que se habituou a ouvir enquanto esfrega candidamente os cantos da boca. Alexia de seu nome, é conhecida por vender prazer mais rapidamente que uma casa de câmbio troca dólares num país africano. Loiríssima, de estatura mediana, óculos de grossas hastes, roupa provocante e a boca mais rápida dos arredores, ainda tem tempo nas horas vagas para ser informadora especial da esquadra da Damaia. Ai aqueles cacetetes longos e negros!! É precisamente para lá que se dirige, depois de ter sido chamada via telemóvel modo vibratório.
Os sapatos altos vão trotando na calçada enquanto o edíficio da GNR se aproxima no horizonte. “O que quererá o chefe desta vez? Ainda ontem lhe mudei o óleo...” – pensa Alexia “E que fuga tem aquele motor! Ainda me dói a garganta...”. Sobe rapidamente as escadas de entrada da esquadra e dirige-se ao gichet, onde um GNR que faz o controle de entradas lê calmamente uma banda desenhada japonesa onde parecem abundar jovens colegiais saltitantes.
- Bom dia senhor guarda Régio – diz Alexia, com um sorriso maroto – Não o sabia tão interessado na cultura japonesa...
- Ehh... Muito bom dia menina – responde Régio baixando atrapalhado a revista – são apenas... alguns conselhos para tratar dos meus bonsai!
- Ai sim? Em Portugal os jardineiros não costumam usar saia... – riposta Alexia, rindo-se – Penso que o chefe me espera!
- Sim, sim, siga o pelo corredor! – atira Régio, observando a loira afastar-se – ainda um dia a irei possuir! – susurra, enquanto uma mão levanta a revista e a outra desliza avidamente para um ponto em particular das calças...
Ao longo do corredor Alexia vai sendo cumprimentada efusivamente pelos agentes que passam “Não me esquecem estes queridos. Também, tantas vezes que esfolei os joelhos por culpa deles...” – recorda nostálgica, chegando ao gabinete e batendo à porta.
- Entre! – berra o chefe Victor Gina do outro lado.
O Chefe da esquadra era um homem peculiar. De meia idade, pesado a todos os níveis, tinha sido emigrante muitos anos no Brasil, tendo regressado apenas há um par de anos a Portugal. Os seus gostos ainda vinham afectados por essa estadia na terra dos nossos irmãos, ou como ele gostava de dizer, irmãs: não dispensava uma boa feijoada e mulheres com um rabo enorme, de preferência ao mesmo tempo. E claro, se fossem brasileiras, melhor.
- Bom dia Chefe Gina – disse Alexia, entrando – Vim logo que pude.
- Sempre a mesma atrasada! Se anda com um vestido, basta subi-lo, render, descê-lo e andar, porquê a demora? – resmungou acidamente Victor – Mais depressa um boi monta a manada toda do que você chega aqui à esquadra!!
- Desculpe Chefe, mas não posso desperdiçar nenhum cliente... – penitenciou-se a loura, baixando os olhos – quer o serviço do costume? – suspirou, preparando uma vez mais a garganta.
- Não, não te baixes já! – exclamou Victor – Hoje não há reza para ninguém! Quero dar-te um trabalho, e apresentar-te o teu novo parceiro.
- Parceiro?? – balbuciou Alexia, perplexa – Eu trabalho sozinha, já lhe disse! Sou pau para toda a obra... ou obra para todo o pau, como queira!
- Calma rapariga, refiro-me a um trabalho policial – esclareceu o GNR – e ele vai ser uma ajuda preciosa na tua missão. Tutu, podes entrar!
E eis que da casa de banho pessoal do gabinete surgiu o novo companheiro de Alexia: um rapaz alto, na casa dos vinte, meio calvo e aparentando pouca expansividade. A loira observou-a de alto a baixo “Hum... atraente... para alguma me servirá” – pensou maliciosamente, observando o baixo ventre oculto do rapaz.
- Alexia, este é o Tutu. Vai ajudar-te na obtenção de informação sobre um perigoso traficante – explicou o Chefe Victor Gina – O seu nome é S. P. Frônhé e domina todo o mercado deste lado do rio Tejo. É esta a vossa missão.
- Bem, parece que vamos ter de trabalhar juntos não é? – disse Alexia, dirigindo-se ao rapaz
- Ããããã... – gaguejou Tutu – Ãããã... sim.
- Hum... tímido. Tenho de te tirar essa timidez. Vamos ali ao WC e tratamos disso – disse Alexia, enquanto levava pela mão o rapagão... – Espere só um pouco Chefe. Vamos ver se o Tutu não é antes um TuTAU...

(Continua)

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